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sábado, 20 de novembro de 2010

Memórias póstumas...

Diferente de Brás Cubas, não preciso ser o defunto falador, para "lembrar" de minhas próprias "lembranças" vividas do outro lado. Digamos... que já estive meio morta e o outro lado , o tal lado de lá, de separação entre o mundo velho e o desconhecido, é o que hoje me encontro e nem dei conta.

O pequeno túmulo de madeira na minha vida chamou-se "imenso atlântico". Atlântico esse, que separou ilariamente todas as pessoas do passado. Mesmo as que encontrei aqui desse lado, juntaram-se às outras..Pois é, todas... Todas, sim!!

Elas e eles. Grandes e pequenos amores, paixões flutuantes, maltratos e acarinhares entre meu sexo e alma. E os órgãos? coração, útero e estômago. Eram sempre eles que moviam continuamente, vezes agitavam-se descontrolados, vomitavam e paravam sem lucidez! Tudo embaraçado por conta de meus sentimentos que pairavam por fim em minha cabeça imatura e juvenil.

Quanto tempo foi isso? talvez 4 a 5 anos. Tudo de certa forma esquecida pelos sentimentos que eu quis afogar junto comigo, mas que voltam sempre em forma de números e nomes em minha mente infelizmente não-esclerozada. Todos os anos! Datas alheias a qualquer pessoa que passa a minha frente, quem sabe, alheia até aos pares de copas e A-ses que jogavam comigo, mas a mim, fazem parte da minha história. Cada um com um certo pecado e penitênica...

Números da lembrança, rolam da minha roleta russa pessoal. VINTE E CINCO..ONZE... VINTE E SETE..UM...

Início do começo do FIM de uma amizade entre duas amigas que queriam amar-se para sempre, e esqueceram de ser amigas.. O sempre não existe minhas caras, por isso... acabou, e estranhamente, depois de 4 anos, quase no bater do sino, avisa-se uma nova amizade amadurecida.

Daqui do final do mundo, se não fosse a mutação dos sentimentos, e o apadrinhar da Amizade, seria somente uma dura tristeza do que se foi e não voltaria nunca mais a se acertar.

O VINTE E SETE .. ONZE, o "primeiro estágio" em um casamento as aversas. Alguém que sempre chamarei de anjo, mas que nunca me quis levar ao céu, e hoje vivo entre o a terra batida e o inferno, e sequer conseguirei ir ao alto sozinha, pois nunca aprendi a voar.

Hum..hum..talvez eu consiga, se subir numa árvora ao lado da sacada da janela atual e em vez de querer sempre olhar pro chão, eu suba tão alto e me encontre novamente, tipo, com aquele UM e DOZE com o carinha que casou esta semana e era claramente a pessoa que sempre tinha a moto ligada pra me buscar, e algo que me faz até hoje ter saudade.

Talvez eu vá nessa carona, nem que seja pra pegar chuva, e sentir minha carne com um pouco de emoção e excesso de vento deformando minha boca... Vou gritar Ahummmm, feito criancinha com língua pra fora da janela em viagem pro interior.

Enquanto nada acontece, hoje é VINTE, de anos depois, nem acredito que se passaram dois mil e tais anos, e antes que passem novamente outros 25, 27.., preciso acordar, e no meio de lembranças descobrir uma nova emoção e quem sabe me ajude a encontrar a sanidada...

Preciso abrir os olhos, ficar na porta e dar a mão a essa mulher que me promete levar calmamente ao homem de branco, para me fazer controlar as emoções e poder descobrir se eu estou viva ou morta nesse cenário cheio de fantasmas do passado e presente...

Um psiquiatra? não...acho que é o seu legista... Olha, e se eu acordar e continuar a ver estas mãos frias andando por ai sempre?

Abraços a todos do lado daí,

e..."Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico, com saudosa lembrança, estas memórias póstumas" (Machado de Assis)

By Bette.